quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma vela, um valor, um dever

     Nossa pátria. O berço de nossos laços vitais e único lugar onde realmente nos sentimos em casa. Uma pátria não se faz do dia pra noite, nem com leis ou imposições. Não basta uma bandeira ou um estado forte e soldados. Uma nação se constrói em cima de seu povo. Sua base, que por meio de revoluções e avanços cívicos, constrói sua noção de pátria. Um símbolo sozinho não representa nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um país.
     Temos tudo bem aqui. Climas variados e amenos, extensão territorial, vastas riquezas naturais, mas então o que nos falta? O que faz a diferença? O povo e sua vontade, sua determinação, garra sangue e suor. Heróis são aqueles que fizeram o que devia ser feito enfrentando as consequências. É verdade que talvez não se tenha mais tanto espaço para o surgimento de novos heróis. Entretanto, ainda há muita coisa a ser feita. Não somente no espaço público, mas também no educacional, cultural e moral. Levantar as massas e mostrar-lhes seu valor, seu verdadeiro poder. "O povo não deve temer o seu governo, o governo deve temer o seu povo". O poder emana do povo, e pelo povo deve ser exercido. Pode parecer que falo como benfeitor, um defensor da nação. Mas não somos? Não devemos honrar as virtudes e deixá-las brilhar dentro de nós? Sim.  Infelizmente não basta acabar por aqui. Devemos fazer com que brilhem em todos que conhecemos, e em todos que dependem de nós, e em todos que nos governam, e em todos que nos ajudam, e em todos que são ajudados por nós. Assim plantaremos uma semente na mente das pessoas. Germinará com o tempo e o tornará um ser cívico, que ama sua pátria e luta por ela. E "ao contrário de pessoas, ideias são a prova de balas. Não se mata nem se destrói  por completo". Só se constrói uma nação com a verdade. A verdadeira fé de seu povo. Governantes subirão e cairão pelo povo e nada mais. A soberania da democracia é plena e consciente.
     Não se pode haver justiça sem liberdade. E a todo momento vemos pessoas acorrentadas pelas próprias ideias, ou pela falta de informação. Governos tiranos não são aqueles que privam-nos de liberdades políticas, religiosas, de espaços, de voz, de ação ou de representação. São aqueles, também que privam seu povo do conhecimento, da mente crítica e de sua capacidade intelectual. A construção de mentes inférteis criadas para serem peças de rebanho. Está ai nosso papel heroico de libertá-los das amarras e mostrá-los a verdade. "O artista mente para denunciar a verdade. enquanto o político mente para encobri-la".
     Somos privilegiados por ter grandes amigos/irmãos de Ordem, ter condições intelectuais diferenciadas e parceiros valorosos e sábios ao nosso lado. Devemos unir nossas forças para revolucionar o meio em que vivemos. Criar um mundo que possa ser compartilhado e compreendido. Que todos desfrutem de sua condição cidadã, assim como cumpram seu dever. Igualdade, justiça e liberdade são mais do que palavras; são perspectivas. Nossa Ordem possui suas simbologias e muitos aspectos. Cabe apenas inferir seu significado maior. As sete velas em torno do altar são grandes símbolos que podemos tomar para supor seus significados. A sétima e última vela, o patriotismo, só pode ser construída ou acesa depois das outras. Com a benção de Deus, pois sem sua proteção e olhar cuidadoso estaríamos perdidos no caos. O amor que devemos sentir por nossa pátria é o amor que temos pelos nossos pais. Ela é a nossa mãe e nossa casa. A família constrói os laços corteses entre cidadãos e o respeito mutuo é primordial para a convivência pacífica entre os mesmos. O companheirismo e a fidelidade são aliados que nos dão força. Sozinhos não somos ameaça; juntos, porém, e guiados por uma ideia em comum, somos imbatíveis. A sexta vela, por fim, é o que nos impede das nossas ambições egoístas e da divergência de caráter. Espero que assim o patriotismo possa ser compreendido.

Por: Davi Cecício
Estudante e atualmente organista deste Capítulo

-Texto apresentado na reunião do dia 09/09/2012  com algumas correções.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Meus dias como Sentinela

     Havia acabado de deixar o cargo de Segundo Conselheiro; fui passado, porém, para um cargo que eu considerava inferior. Fiquei desapontado no início. Acreditava estar sendo subestimado, ou simplesmente não acreditavam em meu potencial. Bom, talvez eu não tivesse, mas o que importava era que nos próximos seis meses eu seria apenas o Demolay que fica do lado de fora da Sala Capitular.
     Logo na primeira reunião percebi que eu não ficava na mais nas filas, nem no triângulo, muito menos em uma mesa, mas sim em uma cadeira atrás da coluna do Norte. Contudo passei a notar minha importância ao me deparar com uma porta fechada e a cerimonia de abertura ocorrendo do lado de dentro. Automaticamente comecei a acompanhar a cerimonia e assim seguiu-se em todas as reuniões.
     Ao final da gestão recebi elogios, os quais ninguém esperava que eu fosse receber e me emocionei ainda mais quando recebi um diploma de cem por cento de presença! Eu, um sentinela, cargo oferecido aos que costumam faltar em reuniões, com presença máxima. Não conseguia acreditar que eu havia feito isso!
     Enquanto a reunião pública de posse se encerrava, ocorria uma reflexão em minha mente. Uma vez me disseram: não importa qual é o seu cargo, mas sim como você o exerce. Cheguei a conclusão que, na verdade não importa, realmente, qual é o seu cargo, mas sim o que você consegue extrair dele. Você não precisa ser um conselheiro para ajudar seu capítulo. Prova viva disso é meu irmão, cujo nome faço questão de citar: Bruno Faria, que como Segundo Mordomo, e 1 ano e meio (se não me engano) de Ordem, organizou praticamente sozinho a cerimonia de 15 anos do Capítulo Sete Lagoas.
     Histórias como essa estão em toda a parte, e eu tenho certeza que não sou o único que cresci depois de uma suposta derrota. Na última eleição me candidatei para Mestre Conselheiro deste Capítulo. Ganhei? Honrosamente não, mas estou hoje no cargo que sonho desde iniciático e tenho certeza das palavras que vou dizer agora: Você só é derrotado por algum obstáculo quando não consegue vencer a si mesmo.

Marcelo Costa Monteiro
Estudante e Primeiro Diácono deste Capítulo


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Meus amigos

     Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Deve ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angustias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
     Escolho meus amigos pela alma lavada e pela casa exposta. Não quero só ombro ou colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
     Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a imaginação não desapareça. Não quero amigos adultos e chatos. Quero-os metade infância e metade velhice. Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto, velhice para que nunca tenham pressa.
     Tenho amigos para saber quem sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão.

Por: Davi Cecílio
Estudante e atualmente organista do Capítulo.